Depósito de R$ 123 mil do deputado Edilázio Júnior para Nelma Sarney cai na mira do Coaf


Uma movimentação financeira superior a R$ 6 milhões na conta bancária do deputado estadual Edilázio Júnior (PV), identificada pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), conectou o parlamentar a uma conta bancária da desembargadora Nelma Sarney, do Tribunal de Justiça do Maranhão, e desencadeou ações da Procuradoria Geral da República e do Ministério Público Estadual de combate à lavagem de dinheiro, à ocultação e dissimulação de bens.

O relatório de investigação financeira, de número 11.581, identificou um depósito em espécie no valor de R$ 123 mil na conta da sogra e desembargadora Nelma Sarney, no Banco Bradesco. Esse valor teria sido depositado por meio de três operações financeiras, nos valores de R$ 3 mil, R$ 30 mil e R$ 90 mil.

Em 2014, a vice-procuradora-geral da República Ela Wiecko instaurou um procedimento para apurar a movimentação financeira entre as contas do deputado Edilázio Júnior e da desembargadora Nelma Sarney.

Em resposta à PGR, a magistrada Nelma diz que “desde 2009 não movimentava a referida conta e que recebeu com total estranheza a notícia do depósito realizado por seu genro Edilázio Júnior”.

Após isentar o genro parlamentar, Nelma Sarney atribuiu a ocorrência de operações suspeitas à ação de Raimunda Célia Moraes, ex-gerente do Bradesco, acusada de agiotagem, estelionato e apropriação indébita contra clientes do banco, e que havia sido gerente tanto de sua conta quanto de Edilázio Júnior.

Em julho de 2015, Ela Wiecko, em um despacho, afirma que, “embora sem os documentos comprobatórios das operações indicadas pelo COAF, é certo que, até o presente momento, não se pode afirmar a ocorrência de crime atribuído à referida autoridade [Nelma Sarney]”, anota a vice da PGR.
Wiecko determina, então, a remessa do procedimento investigatório da Procuradoria Geral da República para o Ministério Público Estadual, a fim de que se apure a natureza e autoria das operações bancárias realizadas e “eventual responsabilidade criminal de Raimunda Célia Moraes, que está sendo investigada por fatos similares no Inquérito Policial de nº123/01 (Processo nº547832013)”.

É com base nessa recomendação da PGR e nas diligências realizadas que o MPE requereu a quebra do sigilo bancário da desembargadora Nelma Sarney, negada na última sexta-feira (14) pelo juiz Clésio Cunha, da 3ª Vara Criminal de São Luís.

Para o MP e a própria polícia, o pedido de quebra de sigilo se fez necessário, porque, mesmo a desembargadora Nelma Sarney tendo apresentado extrato bancário e outros documentos de sua conta corrente, ela não mostrou a ficha de caixa, que é o documento essencial para a comprovação de quem efetuou a operação dos depósitos, assim como os dados de um suposto empréstimo não autorizado.

MOVIMENTAÇÃO ATÍPICA
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) constatou numa conta bancária do deputado estadual Edilázio Júnior (PV) uma movimentação atípica na ordem de R$ 6 milhões.

Na trilha dos milhões o órgão do Ministério da Fazenda, descobriu que o parlamentar verde fez transações bancárias com três empresas e dez pessoas, entre elas a sua sogra e desembargadora Nelma Sarney.

O COAF enviou o relatório de investigação financeira de número 11.581 para o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e o Ministério Público Estadual. O MPF e o MP instauram procedimentos para apurar as diversas ocorrências de movimentações financeiras suspeitas de Edilázio Júnior, entre elas um depósito em dinheiro de R$ 123 mil na conta da sogra e desembargadora Nelma Sarney.

Tanto Nelma Sarney quanto Edilázio Júnior puseram a culpa pelo depósito em Raimunda Célia Moraes, ex-gerente do Bradesco, acusada de agiotagem, estelionato e apropriação indébita contra clientes do banco, e que havia sido gerente da conta dos dois.

Na semana passada, o MP teve negado pela Justiça estadual o pedido de quebra de sigilo bancário da desembargadora. A ação resultou numa crise entre o Ministério Público e a Justiça estadual.
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