Waldir Maranhão, Lava Jato e prestação de contas…
Além das acusações na lava Jato, Waldir foi denunciado pelo MP por conta de prestação de contas
O primeiro-vice-presidente da Câmara,
deputado Waldir Maranhão (PP-MA), ofereceu-se para prestar
esclarecimentos de maneira espontânea à CPI da Petrobras, na próxima
terça-feira (24). Tentará se explicar. Ele é um dos parlamentares que
tiveram o nome citado na lista encaminhada ao Supremo Tribunal Federal
(STF) pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com envolvidos
nos casos de corrupção na Petrobras e cujo pedido de investigação foi
autorizado pelo ministro Teori Zavascki. Além disso, tem contra si uma
ação do Ministério Público que contesta sua conta de campanha de 2010.
Seu nome foi citado na delação premiada
do doleiro Alberto Youssef como um dos políticos que receberam dinheiro
do esquema. O depoimento de Waldir Maranhão, cujo partido (PP) apresenta
o maior número de políticos na lista de Janot, acontece duas semanas
após o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ter comparecido à
comissão para se defender das acusações de participação no esquema de
corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a Petrobras.
Apontado pelo doleiro Alberto Youssef –
um dos alvos centrais da Operação Lava Jato – como beneficiário do
esquema de corrupção na Petrobrás, Waldir Maranhão não conseguiu
explicar, até hoje, a origem de R$ 426 mil que entraram no caixa de sua
campanha em 2010. A afirmação é do Ministério Público Federal no
processo em que pediu a cassação do mandato obtido pelo político naquele
ano. Se for condenado, ficará inelegível por oito anos.
MP relaciona prestação de contas à Lava Jato
O Ministério Público do Maranhão disse
que a inconsistência nas contas eleitorais do vice da Câmara pode ter
ligação com o esquema investigado na Lava Jato – segundo os
investigadores, recursos desviados da estatal abasteceram campanhas
eleitorais. Mas o órgão ressalva que ainda não possui dados para
comprovar a relação.
Segundo a ação, que corre em segredo de
Justiça e obtida pela agência Estado, o deputado foi instado a retificar
sua prestação de contas pela Justiça Eleitoral maranhense. Mesmo após
as correções, o Tribunal Regional Eleitoral decidiu reprovar suas contas
e aprovar a quebra de seus sigilos bancário e fiscal.
Maranhão diz que o dinheiro era
proveniente de recursos próprios. Mas chamou atenção das autoridades o
fato de ele ter declarado, no mesmo ano, patrimônio líquido de R$ 16,5
mil (dinheiro em espécie), muito menos do que doou para si. Em um
primeiro momento, o vice da Câmara justificou dizendo que “esqueceu de
declarar o valor em espécie de R$ 200 mil”.
Afirmou ainda que financiou sua campanha
com seu salário de deputado federal, à época fixado em R$ 16,5 mil
mensais. Em outro momento, acrescentou que contava com dinheiro da venda
de sua casa – R$ 550 mil, em 4 de agosto de 2010. O valor seria
recebido em três parcelas, sendo a última para outubro daquele ano. A
Justiça rejeitou as explicações e reprovou as contas.




