O Dia da Consciência Negra é comemorado em 20 de novembro em todo o território nacional. A data faz referência ao dia da morte de Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo de Palmares, que lutou para preservar o modo de vida dos africanos escravizados que conseguiam fugir da escravidão.
Desde o momento em que
os portugueses, levados pela escassez de mão de obra no período colonial no
Brasil, decidiram importar escravos, não tinham conhecimento do tratamento
desumano que seria impostos aos cativos. Por certo, também não tinham ciência
de que os descendentes desta raça sofrida, viveriam, séculos mais tarde,
contribuindo para o mundo das artes, dos esportes, da política, enfim, da vida
social brasileira. Dos negros trazidos para o Brasil e feitos escravos, restou
sua cultura que orgulha não somente as pessoas que são definidas como
descendentes afro-brasileiro, mas a todos os que vivem neste país. São
tradições, costumes, fatos e mais uma infinidade de coisas que se transmite de
forma duradoura por várias gerações.
O Brasil é um país rico
em diversidade cultural. Consequências de uma colonização construída por
diversos povos que aqui se integraram trazendo juntamente com suas esperanças e
planos, o seu patrimônio cultura. Nosso povo adotou essas culturas em sua
bagagem cultural, na música, na religião, no modo de falar. Pode-se definir, em
nível de Brasil, que a cultura que cerca seus habitantes é uma herança social
provinda dos portugueses, italianos, espanhóis, índios e negros. Sobretudo os
últimos deixaram sua cultura evidente principalmente considerando sua
trajetória pelo Brasil, sua história carregada de sofrimentos e preconceitos
que se perpetuam, ao lado da cultura, até os dias de hoje. A história do negro
no Brasil, contada nas escolas, em sua maioria, vale-se de descrever o período
da escravidão e os horrores do caminho percorrido, e menciona superficialmente
a cultura afro-brasileira e a tradição negra.
Na última divulgação trimestral da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (NADC),negros e pardos equivalem a cerca 56% da população brasileira. Em Pernambuco, eles são cerca de 68%. Quando o assunto é violência a taxa de homicídios contra negros é alta: 73,18 por 100 mil habitantes, sendo a terceira maior do Brasil, atrás somente do Rio Grande do Norte e Ceará. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada IPEA, em 2017, 4.720 negros forma assassinados, enquanto outras raças foram 630. Ou seja, o número de negros assassinados é 7,5 vezes maior no Estado e no Brasil 3,2 vezes.
Violência
O Atlas da Violência de 2019 mostra que negros e moradores de comunidades são maioria entre os assassinados. Em Pernambuco, foi registrado, no ano de 2018, um número de 4.170 homicídios. 56% dos casos segue sem solução e a maioria dos assassinatos ocorrem em lugares com baixos índices de indicadores sociais, como nas periferias.
A mãe Joelma de Andrade sofre com a morte do filho. Morador de periferia e negro, Mário foi assassinado com três tiros por um policial militar enquanto andava de bicicleta no bairro do Ibura, Zona Sul do Recife. "Meu filho não teve direito à vida", lamenta Joelma. São casos como esse que reforçam a diferença nos números de estatísticas envolvendo a cor da pele.





