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Maioridade Penal: as raízes da barbárie

Maioridade Penal: as raízes da barbárie
Por: Sylvia Debossan Moretzsohn 
            A receita é conhecida: pega-se um crime especialmente chocante, destaca-se a notícia de modo a fazer parecer que se trata de uma situação recorrente, agita-se a ideia de impunidade e está criado o clima adequado para uma campanha. No caso, a campanha pela redução da maioridade penal, que sempre esteve latente e ganhou força desde que a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos   Deputados aprovou proposta de emenda constitucional nesse sentido, em fim de março deste ano.
             A bola da vez é a tortura e o estupro coletivo de quatro meninas em Castelo do Piauí, no interior daquele estado. Quatro menores de idade e um adulto estão presos, acusados do crime, ocorrido em 27 de maio. Depois de seviciadas, as meninas foram jogadas de um barranco. Uma delas morreria dias depois, outra ainda está internada, em estado grave.

O requinte da manipulação

              O caso custou a merecer a atenção da grande imprensa. Nesta semana, a Veja preparou a receita com particular requinte: no seu “Especial Maioridade Penal”, estampou na capa a foto digitalmente distorcida dos quatro adolescentes presos: “Eles estupraram, torturaram, desfiguraram, mataram”. E a manchete pergunta: “Vão ficar impunes?”

O requinte da manipulação
O caso custou a merecer a atenção da grande imprensa. Nesta semana, a Veja preparou a receita com particular requinte: no seu “Especial Maioridade Penal”, estampou na capa a foto digitalmente distorcida dos quatro adolescentes presos: “Eles estupraram, torturaram, desfiguraram, mataram”. E a manchete pergunta: “Vão ficar impunes?”
O requinte não é, obviamente, a repetição do mantra da impunidade, quando se sabe que jovens são punidos na forma do Estatuto da Criança e do Adolescente, inclusive com reclusão de até três anos para crimes graves como este. O toque de mestre é a exibição dos quatro menores e o “esquecimento” do adulto de 40 anos que, de acordo com um dos rapazes – em depoimento em vídeo reproduzido no site da revista (ver aqui) – e com o próprio promotor (ver aqui), foi o mandante do crime.
“Eu sou você amanhã”
Por que omitir a figura do adulto? Porque é preciso fixar a imagem dos menores de idade como os monstros responsáveis por aquele crime bárbaro, e assim alimentar a campanha pela redução da maioridade penal.

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