Adriano Sarney esquece Lagoa da Jasen e denuncia poluição de rios e praias na capital
Parlamentar é filho do deputado federal Zequinha Sarney, que operou quase U$ 80 milhões em 2001 para a despoluição da lagoa
Com gestos e semblante de alguém revoltado e chocado com a poluição
do meio ambiente e o descaso do poder público, Adriano afirmou que a
mancha evidenciou um problema que há muito estaria acontecendo na Ilha
de São Luís, e que, diante do gravidade do problema, não se
poderia tapar o sol com a peneira.
Filho do deputado federal José Sarney Filho, o Zequinha (PV-MA), o
integrante verde da bancada da Oposição no Legislativo maranhense,
porém, tapou - ou se fez mesmo de tapado.
Há 14 anos, durante o segundo governo de sua tia, Roseana Sarney
(PMDB), um dos maiores e mais bonito cartões-postais de São Luís, a
Lagoa da Jansen, foi usada pelo pai de Adriano Sarney para, em conluio
com a peemedebista e a empreiteira baiana Coesa, promover a dilapidação
dos cofres públicos em quase 80 milhões de dólares, por meio de uma
transação que envolveu o Ministério do Meio Ambiente, cujo titular era o
próprio Zequinha.
O dinheiro, que deveria ter servido para o saneamento e a despoluição
no fedorento cartão-postal ludovicense, chegou a ter seu destino
investigado pelo Tribunal de Conta da União (TCU), que sumiu com o
processo e até hoje não o julgou.
Por coincidência, na mesma época, conforme denunciou mais tarde a ONG
Wikileaks, Roseana e seu esposo Jorge Murad, o Jorginho, abriram a
conta bancária da off-shore Coronado no banco suíço Julius Bär, filial
das Ilhas Cayman, e movimentaram cerca de 150 milhões de dólares.
Embora fosse ainda apenas um filhote da oligarquia na época, hoje
representante do Parlamento estadual, o neto do coronel mais longevo do
país, desde o início da Legislatura, não subiu a tribuna para reclamar
do mau cheiro que exala do local até hoje, nem da falta de estações de
tratamento para evitar que o esgoto dos prédios de luxo que cercam o
local seja despejado in natura na Lagoa, e muito menos usou a força do
mandato para pedir explicações ao TCU sobre o paradeiro do processo que
investiga onde o seu pai aplicou o dinheiro público




