Lula diz que militante
precisa ter obrigação de dar 'pequena doação' ao partido
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
participou na manhã desta sexta-feira, 12, do lançamento da plataforma de
doações individuais do PT, realizado no 5º Congresso da legenda em Salvador.
Ele dedicou o discurso a fazer um apelo pela nova ferramenta que pode ajudar a
resolver "parte dos problemas" do PT.
"Lembro que, na campanha de 1989, a gente
vendia camiseta, vendia até adesivo de carro para o segundo turno. Os tempos
mudaram. Acho que naquele tempo a gente fazia PT com mais intensidade que
hoje", disse Lula como uma forma de incentivar a contribuição dos
militantes. "Militante precisa ter a obrigação de dar uma pequena doação
ao seu partido", afirmou o ex-presidente.
Lula voltou a provocar a imprensa dizendo que não
vão ser outras categorias, como jornalistas, que vão contribuir com a legenda.
"Não vão ser os jornalistas que estão sendo demitidos em larga escala que
vão ajudar", afirmou.
O ex-presidente repetiu que o partido passa por um
momento difícil e que não há "solução individual", frisando a argumentação
de que o partido é vítima de uma "tentativa muito bem planejada" de
criminalização. Lula voltou a comparar a situação atual ao nazismo. "É só
assistir a um filme pra ver como nasceu o nazismo ou o fascismo que a gente vê
como começa", disse. E falou também da presença do líder do Revoltados
Online, Marcello Reis, no hotel onde ocorre o congresso - gerando revolta entre
petistas. "Pode ter até desaforado que acha que pode vir pra 'avacalhar' o
congresso do PT."
Para mudar a situação, Lula pediu a contribuição
financeira e de militância dos presentes. Disse que já foi vendedor de camiseta
e de "estrelinha" do PT e pediu dedicação. Lula passou uma mensagem
também aos deputados e senadores petistas. Fez um apelo para que os
parlamentares doem um fim de semana do mês para atividades do partido, para
rodar o País e ajudar o presidente nacional da legenda, Rui Falcão, na tarefa
de divulgação positiva. "Sei que cada companheiro tem que trabalhar sua
base no fim de semana. Mas acontece que o deputado, o senador, é uma
autoridade. Cada local que ele chegar vai dar uma entrevista para a rádio
local, para o jornal, vai ajudar o PT a voltar a ser o que era",
argumentou.
"Nós somos da paz, mas eles não deixam a gente
em paz. Querem bombardear o PT todo santo dia", reclamou Lula. "Nossa
resposta é não fazer jogo rasteiro deles, que querem destruir o legado que está
sendo construído neste País pelo Partido dos Trabalhadores. O momento, embora
complicado para o PT, acho que é de ressurgimento do nosso partido", completou.
Lula disse que o esforço vai ajudar a oxigenar,
renovar o PT e encerrou pedindo para que a militância não esqueça do seu apelo:
"Vamos dar ao PT a tranquilidade e o oxigênio de que ele precisa".
Durante o discurso, ex-presidente brincou com a
plateia exibindo um cartão de crédito com seu nome e a bandeira do cartão do
PT. Ele contou que o partido ficou dois anos negociando com o Banco do Brasil
para lançar o cartão de crédito, mas que a iniciativa - que verteria taxas para
o partido como forma de arrecadação a cada transação - foi vetada pela Justiça
Eleitoral.




