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Só me arrependo de não ter mais dinheiro para oferecer’, diz deputado que ofereceu R$ 10 mil por morte de bandido

O deputado estadual Capitão Assumção (PSL) não se abala com a repercussão que gerou ao oferecer R$ 10 mil para quem matar o assassino de uma mulher na frente da filha na madrugada de quarta, 11, em Cariacica, no interior do Espírito Santo. Ao contrário, ele se empolga. “Não tiro uma vírgula. Só me arrependo de não ter mais dinheiro para oferecer”, disse o deputado ao Estadão.
No mesmo dia do assassinato, Capitão Assumção foi à tribuna da Assembleia e lançou o desafio. “‘Quero ver quem é que vai correr atrás para prender esse vagabundo’, disse, apontando para uma foto da mulher executada reproduzida no telão do plenário. “Dez mil reais do meu bolso para quem mandar matar esse vagabundo. Ele não merece estar vivo, não.”
Ele seguiu. “Tem que entregar o cara morto, aí eu pago. Vagabundo que tira vida de inocente, vai usar o sistema para ser beneficiado? A gente tem que parar com isso de achar que preso é gente boa. Preso vai para lá porque fez maldade contra o cidadão. Não pode estar vivo uma praga dessa, não. É um custo muito alto para o cidadão.”
O deputado havia compartilhado o discurso em sua conta no Facebook e no Instagram. Contudo, as duas plataformas excluíram o material nesta sexta, 13. Ele ainda foi bloqueado pelo Facebook, e está impedido de fazer publicações pelo prazo de 30 dias.
Após a exclusão do vídeo das redes sociais, o deputado disponibilizou o vídeo por WhatsApp a todos os interessados. ‘A recompensa para quem matar o assassino da jovem está de pé’.
Natural de Ecoporanga, a 305 quilômetros da capital Vitória, Lucínio Castelo de Assumção já foi deputado federal pelo PSB entre os anos de 2009 e 2011. Ele assumiu o cargo após a renúncia do deputado Neucimar Fraga.
Atualmente, Capitão Assumção exerce seu primeiro mandato de deputado estadual, eleito em 2018 com 27.744 votos.
“Eu cheguei aqui na Assembleia por essa indignação do brasileiro. Eu represento na Assembleia a voz do brasileiro indignado com a forma como o cidadão é tratado”, acredita Assumção.
Ao fazer seu lance de R$ 10 mil, o deputado se referia à morte de Mayara Oliveira Freitas, de 25 anos, dentro de casa, na quarta, 11, no bairro de Antônio Ferreira Borges, em Cariacica.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, a Polícia Militar foi acionada para atender a uma invasão de residência seguida de tiros. O caso é investigado pela Polícia Civil.
Para a diretora de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil/Espírito Santo Flávia Brandão, violência não se combate com violência. “De um representante do Poder Legislativo espera-se mais responsabilidade, e não o incentivo à barbárie. Esse deputado deve primeiramente respeitar as leis e a Justiça, além de trabalhar para aprimorar os mecanismos de segurança pública existentes.”
“Estamos vivendo a barbárie faz tempo. Nós vamos é dar proteção ao cidadão”, afirma Capitão Assumção.

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